quarta-feira, 29 de setembro de 2010

comptine d'un autre été - yann tiersen

Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain

Monique Haas - Bartok "Sonatine"

Bach, Air on the G string (Air on a G string, string orchestra)

Antonio Vivaldi - Storm

Vivaldi - Concerto for Two Violins in A Minor RV522

hoje, 29 de setembro de 2010

"Quinta-feira, 1 de Janeiro
FERIADO EM INGLATERRA, IRLANDA, ESCÓCIA E PAÍS DE GALES

Estas são as minhas resoluções para o Ano Novo:"

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"Domingo, 28 de Fevereiro
QUADRAGÉSIMA (PRIMEIRO DA QUARESMA)

Comemos ovos com batatas fritas e ervilhas ao jantar de domingo! Sem pudim! Nem sequer um guardanapo lavado.
A minha mãe diz que nós somos os novos pobres."

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"Sábado, 3 de Abril

8 de manhã. A Inglaterra está em guerra com a Argentina!!!
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Telefonei à Pandora; ela vai passar cá depois da lição da viola. O amor é a única coisa que aguenta a minha sanidade mental..."

sábado, 17 de abril de 2010

hoje, 17 de Abril de 2010

"Chamo Flatland ao mundo em que vivo, não porque seja esse o seu nome, mas para vos tornar mais clara a sua natureza, felizes leitores, que tendes o privilégio de habitar o Espaço.
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Esse ponto é um Ser como todos nós, mas confinado a um Golfo não dimensional. Ele é o seu próprio Mundo, o seu próprio Universo; não tem ideia de mais ninguém a não ser ele mesmo; não conhece Comprimento, nem Largura, nem Altura, porque nunca os experimentou; não só não tem qualquer conhecimento do número Dois, como nem sequer pensa na Pluralidade; porque ele próprio é Um e Tudo, não sendo realmente Nada. Contudo, reparai na sua perfeita satisfação e aprendei esta lição; estar satisfeito consigo próprio é ser inferior e ignorante, é melhor aspirar a algo do que ser cego e imponentemente feliz.
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Faz parte do martírio a que estou sujeito pela causa da Verdade que haja alturas de fraqueza mental, em que Cubos e Esferas recuam ao nível de existências praticamente impossíveis; em que a Terra de Três Dimensões parece quase tão irreal como a Terra de Uma ou Nenhuma; em que até mesmo esta dura parede que me separa da liberdade, estas mesmas folhas nas quais escrevo e toda a própria realidade de Flatland surgem como resultado duma imaginação doentia ou de uma estrutura básica de que são feitos os sonhos."

domingo, 7 de fevereiro de 2010

hoje, 7 de fevereiro de 2010


VOZ DO AUTOR
"[A moça se despediu da amiga e avançou para a avenida.
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[E será mesmo verdade que eu, o autor, devo deixar o talvez imprudente narrador pôr aqui esta frase do chefe Chiquinho Vieira?
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hoje, 7 de fevereiro de 2010, não confundir género humano com Manuel Germano

"O Beco das Sardinheiras é um beco como outro qualquer, encafuado na parte velha de Lisboa.
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UMA OCASIÃO, quando desapareceu a Lua, eu estava lá e sei contar tudo.
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Estamos a ler o livro de Júlio Verne mas também já vimos o filme:
" Domingo, 24 de Maio de 1863, voltou o Doutor Lidenbrock apressadamente para a sua casinha, sita na Kõnigstrasse n.º 19.
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In Sneffels Youculis craterem kem dilabat
umbra Scartaris Julii intra calendas descende,
audas viator, et terrestre centrum attinges.
Kod feci. Arne Saknussemm.

O que, traduzido daquele latim bárbaro, significa:

Desce à cratera do Yocul de Sneffele
 que a sombra do Scartaris vem beijar antes das calendas de Julho,
ó viajante audaz, e tu chegarás ao centro da Terra.
Eu o fiz. Arne Saknussemm.
...
Desde então o meu tio foi o mais feliz dos sábios, e eu o mais feliz dos homens porque a linda virlandesa, abdicando a posição de pupila, tomou em nossa casa de Kõnigstrasse a de sobrinha e esposa. Escusado é dizer que se tornou seu tio, o ilustre Doutor Otto Lidenbrock, sócio correspondente de todas as sociedades científicas, geográficas e mineralógicas das cinco partes do mundo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

hoje, 27 de janeiro de 2010, 65 anos da libertação de auschwitz




"Quando fiz onze anos parti o mealheiro e...
Sinto que o meu sorriso está a ganhar.
... 
Árabe significa ter a mercearia aberta à noite e aos domingos."






"Quando o senhor, também conhecido como deus, se apercebeu de que a adão e eva, perfeitos em tudo o que apresentavam à vista, não lhes saía uma palavra da boca nem emitiam ao menos um simples som primário que fosse, teve de ficar irritado consigo mesmo, uma vez que não havia mais ninguém no jardim do éden a quem pudesse responsabilizar pela gravíssima falta, quando os outros animais, produtos, todos eles, tal como os dois humanos, do faça-se divino, uns por meio de mugidos e rugidos, outros por roncos, chilreios, assobios e cacarejos, desfrutavam já de voz própria.
...
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A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.
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A história acabou, não haverá nada mais que contar."

domingo, 17 de janeiro de 2010

hoje, um inspirador 2010


"Naquele tempo, todas as casas do Souto fumegavam logo de manhã; e no chão das ruas estreitas e saibrentas havia sempre muitas caganitas de cabra.
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Ai de nós, que sabíamos na ponta da língua todos os rios e afluentes de Portugal, insular e ultramarino, províncias e capitais de distrito, que sabíamos em que sítio do mapa os comboios paravam, embora nunca tivéssemos visto o fumo do comboio.
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O tio Augusto tinha-me arranjado emprego numa confeitaria"



As luzes dos faróis rasgaram a noite glacial, prenunciando um fragor cavado que logo se ouviou a aproximar.
...
6AYHAS1HA8RU
...
...e, esvaindo-se como oxigénio no vácuo, a esperança foi definhando até se transformar em desilusão completa."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

hoje, 21 de Dezembro de 2009


"Nasci no Alentejo: Torrão.
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O Verão é um tempo de trigo maduro e colares de malmequeres.
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E a minha Mãe não ia agora nessa camioneta e eu estaria no largo da minha terra onde não vou há tantos anos! - OU FOI APENAS HÁ POUCO? - e em vez de ADEUS!, diria apenas:
Até logo, Mãe!"


sábado, 19 de dezembro de 2009

hoje, 19 de Dezembro de 2009

"A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas.
...
Foi uma desilusão óptica.
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Quem sabe eu aprenda, no afinado silêncio dos braços de Noci, a encontrar minha mãe caminhando por um infinito descampado antes de chegar à última árvore."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dia de Natal - António Gedeão

Hoje é dia de ser bom. 
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, 
de falar e de ouvir com mavioso tom, 
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. 

É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem, 
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, 
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, 
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. 

Comove tanta fraternidade universal. 
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, 
como se de anjos fosse, 
numa toada doce, 
de violas e banjos, 
entoa gravemente um hino ao Criador. 
E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor 
anuncia o melhor dos detergentes. 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu e as vozes crescem num fervor patético. 
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu? 
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético. 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. 
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. 
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas 
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, 
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, 
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, 
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, 
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. 
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, 
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. 
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. 
Adivinha~se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. 
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento 
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar. 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena. 
Naquela véspera santa 
a sua comoção é tanta, tanta, tanta, 
que nem dorme serena. 

Cada menino 
abre um olhinho 
na noite incerta 
para ver se a aurora 
já está desperta. 
De manhãzinha 
salta da cama, 
corre à cozinha 
mesmo em pijama. 

Ah!!!!!!!!!! 

Na branda macieza 
da matutina luz 
aguarda~o a surpresa 
do Menino Jesus. 

Jesus, 
doce Jesus, 
o mesmo que nasceu na manjedoura, 
veio pôr no sapatinho 
do Pedrinho 
uma metralhadora. 

Que alegria 
reinou naquela casa em todo o santo dia! 
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, 
fuzilava tudo com devastadoras rajadas 
e obrigava as criadas 
a caírem no chão como se fossem mortas: 
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. 

Já está! 
E fazia-as erguer para de novo matá-las. 
E até mesmo a mamã e o sisudo papá 
fingiam 
que caíam 
crivados de balas. 

Dia de Confraternização Universal, 
dia de Amor, de Paz, de Felicidade, 
de Sonhos e Venturas. 
É dia de Natal. 
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. 
Glória a Deus nas Alturas. 

hoje, 18 de Dezembro de 2009




"Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira."
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"Houve um tempo em que, se tivesse de optar entre duas cegueiras, escolheria ser cego ao esplendor do mar, às montanhas, ao pôr-do-sol no Rio de Janeiro, para ter olhos de ler o que há de belo, em letras negras sobre fundo branco."
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"E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu a beber a água com que havia lavado sua blusa."

domingo, 29 de novembro de 2009

hoje, 29 de novembro de 2009


"Aqui se conta da chegada de Jerónimo Caninguili, moço benguelense, à velha cidade de São Paulo da Assunção de Luanda."
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" A não ser, é claro, que aceitemos como certa a filosofia de Severino, segundo a qual tudo está ligado a tudo e, portanto, mesmo os mais pequenos acontecimentos têm de alguma forma influência sobre o que quer que seja que venha depois deles."
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"Mas quando ambos se levantaram para os acompanharem à porta, a frágil senhora passou o braço pela cintura do marido e havia nesse gesto tanta ternura e tanta autoridade que Adolfo compreendeu que tudo podia ainda ser recomeçado. Porque o barbeiro tinha  asustentá-lo a maior força do mundo."




"O Gato, vendo o poeta de ombro apoiado na ombreira a observar a feira cabisbaixa em 
redor, acercou-se dele e perguntou-lhe, no murmúrio ronronar que costuma servir de preâmbulo às grandes questões metafísicas:
- Servos ou donos?"
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domingo, 22 de novembro de 2009

hoje, 22 de Novembro de 2009

"O médico Sidónio Rosa encolhe-se para vencer a porta, com respeitos de quem estivesse penetrando num ventre."
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"O destino das mulheres é serem culpadas. A idade torna-as ainda mais donas de perigosos saberes."

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"- Chovia no sonho?
- Oh, Doutor, o senhor sofre mesmo de poesias: então chove nos sonhos?
- Eu, poesias?
- Não é de agora. O senhor já anda poetando há muito tempo. Por exemplo, quando o senhor me aconselha para eu cortar nas bebidas...
- Acha que isso é poesia?
- Então não é? Cortar-se na bebida? A gente pode cortar nas árvores, cortar na roupa, cortar sei lá onde, mas diga lá, Doutor, que faca corta um líquido? Só a faca da poesia.
- Você é que anda muito inspirado nestes dias, meu caro Bartolomeu.
- Ah, é verdade! Há ainda mais outra: o senhor diz que beber me faz gota. Sabendo os litros que bebo, Doutor, é preciso muita poesia para falar em gota..."
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"- Eu vim semear estas flores. Tirei-as do cemitério e vou semeá-las por aí, vou semeá-las em toda a Vila Cacimba."

terça-feira, 27 de outubro de 2009

hoje, 27 de outubro de 2009


cnl


"Certa tarde, quando Bruno chegou a casa depois da escola, ficou surpreendido ao ver Maria, a criada da família - que andava sempre de cabeça baixa e nunca levantava os olhos do chão - , no seu quarto, a esvaziar-lhe o roupeiro e a arrumar tudo em quatro grandes caixotes de madeira, até mesmo aquelas coisas que ele tinha escondido no fundo do roupeiro e que eram dele e só dele e não diziam respeito a mais ninguém."
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"Este é o fim da história do Bruno e da sua família. Claro que tudo isto aconteceu há muito tempo e nada parecido poderá voltar a acontecer.
Não nos dias de hoje, não na época en que vivemos."