segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

hoje, 21 de Dezembro de 2009


"Nasci no Alentejo: Torrão.
...
O Verão é um tempo de trigo maduro e colares de malmequeres.
...
E a minha Mãe não ia agora nessa camioneta e eu estaria no largo da minha terra onde não vou há tantos anos! - OU FOI APENAS HÁ POUCO? - e em vez de ADEUS!, diria apenas:
Até logo, Mãe!"


sábado, 19 de dezembro de 2009

hoje, 19 de Dezembro de 2009

"A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e me surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas.
...
Foi uma desilusão óptica.
...
Quem sabe eu aprenda, no afinado silêncio dos braços de Noci, a encontrar minha mãe caminhando por um infinito descampado antes de chegar à última árvore."

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dia de Natal - António Gedeão

Hoje é dia de ser bom. 
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças, 
de falar e de ouvir com mavioso tom, 
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças. 

É dia de pensar nos outros - coitadinhos - nos que padecem, 
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria, 
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem, 
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria. 

Comove tanta fraternidade universal. 
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos, 
como se de anjos fosse, 
numa toada doce, 
de violas e banjos, 
entoa gravemente um hino ao Criador. 
E mal se extinguem os clamores plangentes, a voz do locutor 
anuncia o melhor dos detergentes. 

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu e as vozes crescem num fervor patético. 
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu? 
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético. 
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas. 
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante. 
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas 
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante. 

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates, 
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica, 
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates, 
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica. 

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito, 
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores. 
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito, 
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores. 
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento. 
Adivinha~se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar. 
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento 
e compra - louvado seja o Senhor! - o que nunca tinha pensado comprar. 

Mas a maior felicidade é a da gente pequena. 
Naquela véspera santa 
a sua comoção é tanta, tanta, tanta, 
que nem dorme serena. 

Cada menino 
abre um olhinho 
na noite incerta 
para ver se a aurora 
já está desperta. 
De manhãzinha 
salta da cama, 
corre à cozinha 
mesmo em pijama. 

Ah!!!!!!!!!! 

Na branda macieza 
da matutina luz 
aguarda~o a surpresa 
do Menino Jesus. 

Jesus, 
doce Jesus, 
o mesmo que nasceu na manjedoura, 
veio pôr no sapatinho 
do Pedrinho 
uma metralhadora. 

Que alegria 
reinou naquela casa em todo o santo dia! 
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas, 
fuzilava tudo com devastadoras rajadas 
e obrigava as criadas 
a caírem no chão como se fossem mortas: 
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá. 

Já está! 
E fazia-as erguer para de novo matá-las. 
E até mesmo a mamã e o sisudo papá 
fingiam 
que caíam 
crivados de balas. 

Dia de Confraternização Universal, 
dia de Amor, de Paz, de Felicidade, 
de Sonhos e Venturas. 
É dia de Natal. 
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade. 
Glória a Deus nas Alturas. 

hoje, 18 de Dezembro de 2009




"Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira."
...
"Houve um tempo em que, se tivesse de optar entre duas cegueiras, escolheria ser cego ao esplendor do mar, às montanhas, ao pôr-do-sol no Rio de Janeiro, para ter olhos de ler o que há de belo, em letras negras sobre fundo branco."
...
"E a mulher amada, de quem eu já sorvera o leite, me deu a beber a água com que havia lavado sua blusa."