sábado, 17 de abril de 2010

hoje, 17 de Abril de 2010

"Chamo Flatland ao mundo em que vivo, não porque seja esse o seu nome, mas para vos tornar mais clara a sua natureza, felizes leitores, que tendes o privilégio de habitar o Espaço.
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Esse ponto é um Ser como todos nós, mas confinado a um Golfo não dimensional. Ele é o seu próprio Mundo, o seu próprio Universo; não tem ideia de mais ninguém a não ser ele mesmo; não conhece Comprimento, nem Largura, nem Altura, porque nunca os experimentou; não só não tem qualquer conhecimento do número Dois, como nem sequer pensa na Pluralidade; porque ele próprio é Um e Tudo, não sendo realmente Nada. Contudo, reparai na sua perfeita satisfação e aprendei esta lição; estar satisfeito consigo próprio é ser inferior e ignorante, é melhor aspirar a algo do que ser cego e imponentemente feliz.
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Faz parte do martírio a que estou sujeito pela causa da Verdade que haja alturas de fraqueza mental, em que Cubos e Esferas recuam ao nível de existências praticamente impossíveis; em que a Terra de Três Dimensões parece quase tão irreal como a Terra de Uma ou Nenhuma; em que até mesmo esta dura parede que me separa da liberdade, estas mesmas folhas nas quais escrevo e toda a própria realidade de Flatland surgem como resultado duma imaginação doentia ou de uma estrutura básica de que são feitos os sonhos."